SUCESSO#155 - page 51

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manter o nível. No exterior, os grandes produtores dificilmente fa-
zem mais do que três discos no ano. Trabalho de domingo a domingo
para atender bem todo mundo.
» Pensa em terceirizar serviços para assumir outros projetos?
Ser centralizador é complicado, mas estou acostumado. Se não for
assim, acho difícil dar resultado positivo. Não consigo produzir um
disco e terceirizar o arranjo, por exemplo. Se eu for ficar do lado do
cara falando o que ele deve fazer, prefiro fazer eu mesmo. Preferi
criar meu próprio estúdio e centralizar tudo num só lugar. Claro que
tenho funcionários me ajudando, mas fico envolvido em todas as eta-
pas da produção. E os resultados que obtive no mercado demonstram
que estou certo. Muita gente acha que eu deveria pegar um monte de
discos para fazer, terceirizar o processo e só assinar os produtos, para
lucrar rapidamente. Mas não curto. Isso desvirtua, transforma o
produtor em marca e não em um profissional da produção. Pode dar
certo por um tempo, mas não para a vida toda.
» Já esteve envolvido em projetos considerados fracassos?
Sim, mas nem sempre por culpa da produção. Às vezes a divulgação
não é boa. Enfim, há vários fatores que fazem um disco dar errado.
Inclusive a produção. Mas isso é normal. Se eu soubesse com antece-
dência quem vai estourar, estaria muito mais rico. Na época do
Cur-
tição
, do João Bosco & Vinicius, fiz tudo despretensiosamente e deu
muito certo. Jamais imaginaria que aquele disco ajudaria a mudar
a cara da música sertaneja.
»Oque acha das rádios tocaremmúsicas de gente com talen-
to questionável?
As rádios se renderam a músicas ruins por causa da questão comercial.
Mas o povo quer ouvir coisas boas. Não se compra tudo e nem se ante-
cipa nada. Uma carreira não nasce da noite pro dia. É raro estourar
logo no início da trajetória e se manter. Até porque estourar uma mú-
sica é fácil, mas daqui a seis meses ninguém mais contrata o show se
não houver continuidade do sucesso.
» Seu cachê é fixo ou aceita participar dos lucros do projeto?
Prefiro não trabalhar com participação nos lucros porque isso cria
distorções. Imagina se eu tivesse participação em um projeto que des-
se muito certo? Maravilha! Mas com certeza diriam que meu esfor-
ço foi menor no caso de determinado projeto dar errado.
»Muitas duplas surgiram e sumiram nos últimos anos. O
mercado está fazendo uma peneira natural?
A triagem já está acontencendo. Até 2011, tudo que saía dava certo.
O povo enjoou desse monte de música parecida. E a virada de pági-
na chegou antes do que eu imaginava. A fase da facilidade acabou.
»O que acha da inserção de outros gêneros no sertanejo?
O arrocha é ótimo, mas sempre evitei colocá-lo nos discos, porque era
óbvio demais. Muitos artistas fizeram arrocha sem ter qualquer li-
gação com o gênero. Ficou forçado. E os artistas que lideram o mer-
cado não caíram nessa. Ainda bem.
» Dá para prever o futuro da música sertaneja?
Olha, nos últimos anos a música eletrônica dominou o mundo de uma
forma que eu não previa. E isso não é ruim, porque a e-music hoje é
muito pop e acessível. Acho que o sertanejo vai incorporar um pouco
disso no futuro. O que muito artista jovem não entende é que não é
necessário mudar o estilo radicalmente para estar conectado com as
novidades. Basta colocar uma pitada dessas influências na música,
criar diferenciações. Do contrário, perde-se a essência.
» Como é seu envolvimento com outros gêneros?
Eu vim do gospel, já toquei em banda de rock e passei boa parte da
carreira fazendo sertanejo por conta da demanda. Mas sou um produ-
tor musical e não um produtor sertanejo. Estou produzindo os discos
novos do Fabio Jr e do Jorge Ben Jor.Também vou fazer o CD novo do
Fiuk. Minha meta é trabalhar bastante com rock e MPB. Mas não
posso negar que tudo isso foi possível graças ao meu sucesso no sertanejo.
» Como seria o mercado de música nacional sem o sertanejo?
Sinceramente, não sei como estaria a música brasileira. Os outros
estilos não têm cena para se destacar. Nunca aconteceu isso antes. É
uma situação muito ruim para outros gêneros, infelizmente.
» Você pretende expandir sua atuação para omercado gringo?
Tenho pensado muito no mercado internacional. Produzi uma música
que une Maná e Jorge &Mateus.Também produzi a música do Car-
los Vives com o Michel Teló. E, para finalizar, colaborei em duas mú-
sicas da Dulce Maria. Recentemente, fui para os EUA pesquisar imó-
veis paramontar uma filial do VIP emOrlando ou emMiami.Minha
ideia é trabalhar com os artistas brasileiros que moram lá. Já comprei
uns equipamentos e o padrão será parecido com o da matriz.
» Você pensa em fazer um trabalho autoral?
Penso em gravar um disco, sim. Tenho uns temas aí. Seria um disco
de música eletrônica, pop. Tocaria tudo e chamaria uma galera para
cantar. Tipo o trampo do David Guetta, só que com uma pegada
mais nacional, com a sanfona misturada. Já comprei uns instrumen-
tos para isso, uns teclados Moog e tudo mais. Estou pesquisando bas-
tante para fazer algo especial.
»Qual artista nacional você acha que tem potencial para fa-
zer sucesso no exterior?
O Lucas Lucco pode ser vendido como um novo Ricky Martin. Pro-
duzi um disco dele com várias músicas diferentes, com essa pegada
eletrônica pop e acho que tem tudo para dar certo aqui e lá fora.
"Vim do gospel, já toquei em banda de rock
e passei boa parte da carreira fazendo
sertanejo por conta da demanda. Mas sou
um produtor musical e não um produtor
sertanejo. Estou produzindo os discos novos
do Fabio Jr e do Jorge Ben Jor... Minha
meta é trabalhar bastante com rock e MPB.
Não posso negar que tudo isso foi possível
graças ao meu sucesso no sertanejo."
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