Produtor
REQUISITADO
ESPÉCIEDEMIDASDOMERCADOSERTANEJO,
DUDUBORGES
AMPLIAÁREADE
ATUAÇÃOEPASSAA TRABALHARCOMNOMESCOMOFABIO JR. E JORGEBENJOR
50
SABATINA
P
OR
H
ELDER
M
ALDONADO
D
udu Borges é hoje um dos principais produtores mu-
sicais do país. Sua fama, porém, não foi construída da
noite para o dia.Dudu está envolvido commúsica des-
de a infância, quando participou de bandas gospel – como
multi-instrumentista e, mais tarde, na área de produção. Mas
sua ascensão dentro do mercado secular, com certeza, pode ser
rotulada como meteórica.Emmenos de cinco anos,Dudu deixou
de ser mais um para ser o número um. Tudo começou com a
produção do disco
Curtição
, de João Bosco & Vinicius, lançado
em 2009. Considerado por muitos como o marco zero do serta-
nejo universitário,o álbum foi um dos primeiros a inserir elemen-
tos pop na música rural.De lá pra cá, quase todos os representan-
tes do segmento seguiram caminho semelhante ou procuraram o
produtor para trabalhar em parceria.
Michel Teló, Jorge &Mateus, Bruno &Marrone, Luan San-
tana e Fernando & Sorocaba já foram produzidos por Dudu.
Outros grandes nomes também procuraram o profissional, mas
não encontraram espaço na agenda do proprietário do Estúdio
VIP, situado na região central de São Paulo. “Sou centralizador,
participo de todas as fases da produção. Por isso não sobra tem-
po para trabalhar com todo mundo que me procura. Não é nada
pessoal, é falta de tempo mesmo”, explica Dudu, que hoje pro-
duz cerca de 15 discos por ano.O número é alto para os padrões
brasileiros, mas poderia ser ainda maior se o produtor terceiri-
zasse arranjos e mixagem. “Não é o meu perfil. Gosto de pensar
o conceito de forma completa”, garante.
A fama de estar envolvido em produções exitosas tem atraído
artistas de outros gêneros para trabalhar com ele.Fabio Jr,que não
lança disco inédito desde 2004, vai colocar fim a esse hiato com
um disco gravado ao lado de Dudu. Jorge Ben Jor, por sua vez, é
o primeiro músico de MPB a fazer um disco com o produtor.
Assim, Dudu quebra estigmas e demonstra que não é um profis-
sional focado basicamente no sertanejo.Na entrevista a seguir, ele
comenta o bom momento, avalia o mercado sertanejo e revela
novidades sobre sua atuação na área de produção musical.
» SUCESSO! - Como é sua forma de trabalhar?
DUDUBORGES -
Divido a produção dos discos em etapas. A etapa
inicial junta guia, arranjos e composições.Depois, gravo os instrumen-
tos e a voz. E a terceira fase é a da mixagem. Consigo fazer em média
três discos simultaneamente. Isso dá mais ou menos 15 álbuns por ano.
Não faço mais músicas avulsas. Discos têm um conceito fechado, o que
é muito mais interessante. Prefiro trabalhar dessa forma.
»Qual o motivo de todos os grandes artistas sertanejos pro-
curá-lo para a produção de seus discos?
Um problema recorrente não só no sertanejo, mas em toda a música
nacional, é a falta de mão de obra técnica qualificada.Muita gente acha
que basta comprar um computador e uns softwares para se autodeno-
minar produtor. Não é bem assim. Produzir um disco é algo sério. É
uma função que ajuda o artista a se descobrir. Não é simplesmente saber
gravar instrumentos, mixar e achar que acabou por aí. Por conta desse
pensamento, tudo está muito bagunçado na música do país. Há muitos
artistas bons que poderiam se destacar caso tivessem discos mais bem
produzidos. Infelizmente, isso não acontece por conta da falta de mão
de obra, o que faz com que poucos produtores dominem o mercado.
» Você é muito requisitado. É obrigado a recusar trabalhos?
Existe grande demanda para produzir no VIP e eu inclusive já dis-
se não para um mesmo artista mais de uma vez. Não é nada pessoal,
apenas falta de tempo para fazer algo com qualidade. Toda semana
acontece isso. Algumas pessoas não entendem. Porém, não quero fazer
nada com pressa, porque o resultado pode ser catastrófico. Como
acompanho o processo integral da produção dos discos, não tenho como
assumir mais de 15 títulos por ano. E olha que esse número já é
grande. É difícil trabalhar com tanta gente boa no mesmo ano e
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