SUCESSO#155 - page 43

música e letra ao mesmo tempo. É muito raro eu deixar uma
música sem letra ou deixar para fazê-la depois. Sou impulsivo e,
quando a inspiração chega, geralmente vem como uma tempes-
tade de ideias. Não consigo sossegar enquanto não vejo a forma
da canção pronta ou perto disso”, revela. Ao longo da carreira,
Falcão já chegou a compor música pensando em um determina-
do artista para interpretá-la. Mas, como admite, quase todas as
tentativas foram frustradas. “O motivo é óbvio: no caso de intér-
pretes que também são autores, eles fazem composições que são
a cara deles muitomelhor do que eu”,resigna-se combomhumor.
Cita como exemplo
Coisas que eu sei
.“Quando a compus, imedia-
tamente pensei na Paula Toller. Achei que tinha tudo a ver com
ela. Cheguei a mandar a música para a gravadora, mas no fim ela
não a gravou”, conta. A música foi parar na voz de Danni Carlos
e estourou na trilha da novela
Duas caras
", observa.
Com suas músicas gravadas por tantos nomes famosos e toca-
das nas rádios e TV, curiosamente Falcão ainda não entrou nos
repertórios de artistas de gêneros como sertanejo, axé e samba.
Mas o fato não é barreira para ele. “Sou um compositor abran-
gente e tento alcançar todos os gêneros musicais. Mas sei reco-
nhecer meus limites. Se eu tentar escrever uma canção para o
Zezé Di Camargo, por exemplo, provavelmente vou compor sob
a influência do seu estilo – afinal, ele faz música sertaneja muito
melhor do que eu! Mas isso não impede que a gente possa com-
por uma canção juntos, preservando a essência de cada um”, ana-
lisa.“A canção é, acima de tudo, a verdade do autor e como eu não
sei mentir muito bem, não ouso ultrapassar alguns limites. Longe
de ter preconceito com qualquer tipo de gênero musical. Para
mim, só existem dois tipos de canção – a boa e a ruim”, decreta.
› PRoJEToS
Um dos desafios que assombra todo compositor é interpretar as
próprias canções. Falcão encarou a tarefa em 2009 no disco que
levou seu nome, lançado pela Som Livre, com produção de Max
Vianna. No repertório, inéditas e sucessos como
O bem e o mal
,
Paciência
,
Canções de rei
e
Coisas que eu sei
, além de participações
de Lenine, Jorge Vercillo, Ana Carolina, Danilo Caymmi e Da-
niel Jobim, entre outros. “Sempre quis que as pessoas conheces-
sem minhas canções da forma que as compus, embora não me
considere um cantor por excelência. Tentei me expressar da me-
lhor forma possível como autor, ou 'cantautor', termo que ouvi do
Lenine e que se encaixa perfeitamente em mim”, assinala ele,
destacando que as críticas favoráveis ao trabalho o surpreenderam
e o fizeram crer que o trabalho foi bem feito. O compositor até
cogita a possibilidade de gravar um segundo álbum.
Falcão encarou sem neuras os shows de divulgação do disco.
“Gosto muito do palco. Não sofro ansiedade com pequenos ou
grandes públicos. Sei lidar com isso”, afirma, destacando que já
chegou a se apresentar em shows de Jorge Vercillo e Ana Caro-
lina. Já um projeto que por enquanto só está na imaginação do
compositor é o de ter seu repertório executado por uma orques-
tra. Ou quem sabe ter suas canções interpretadas por um único
artista.“Há intérpretes como Milton Nascimento,Nana Caym-
mi, João Gilberto, entre outros, a quem entregaria meu repertó-
rio sem piscar. Já imaginou o João Gilberto cantando, por exem-
plo,
Paciência
? Eu adoraria ouvir!”, completa
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