SUCESSO#155 - page 66

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m um tempo no qual toda a nossa vida pode
ser resolvida através da internet, é difícil
imaginar um artista consagrado divulgando
seu disco de loja em loja.Mas durante muito tempo
essa era a rotina dos grandes nomes da música: gra-
var e sair pelas lojas,rádios eTVs para emplacar suas
músicas e impulsionar as vendas.Mas eles não esta-
vam sozinhos. Os divulgadores tinham papel fun-
damental em todo esse processo. Por isso, este espa-
ço será dedicado a dois nomes que entraram para o
hall dos profissionais de destaque da indústria da
música: Flavio Caraviello e Dercy Costa.
Flavio Caraviello entrou na música muito cedo.
Com 12 anos, foi trabalhar como office boy na
Continental Discos. "Comecei entregando discos
nas rádios.Naquela época, Francisco Petrônio era o
chefe da divulgação", conta.Desde o início, o jovem
Flavinho demonstrou tino para o negócio e, no ano
seguinte, já trabalhava como divulgador na gravadora. Esse pio-
neirismo seria o grande mote da trajetória de Flavio. Após três
anos na Continental, foi convidado para trabalhar na RCA. "Na-
quela época, muitos artistas conciliavam suas carreiras com ou-
tros trabalhos. Jerry Adriani, por exemplo, trabalhava em uma
fábrica de tintas. O artista tinha que estourar dez músicas por
ano para ganhar um dinheirinho", explica Flavio.
Era aí que Flávio Caraviello entrava. "No auge, eu conseguia
estourar um disco por semana".Mais uma vez largando na fren-
te, Flavio se tornou o primeiro divulgador a ter carro. "Não era
fácil. Ninguém tinha carro. Tínhamos que levar os artistas no
bom e velho 'busão'. Então, eu comprei um fusquinha".
Após seu período na RCA,Caraviello ainda passou pela CBS,
onde ficou até 1974. Sua última gravadora foi a Copacabana, de
onde saiu em 1985. Em 1986, resolveu trabalhar por conta pró-
pria, diminuindo o ritmo. "A partir daí foquei nos artistas in-
ternacionais que vinham ao Brasil. Fiz Michael Jackson, Ma-
donna, Menudos, Pavarotti e muitos outros".
Apesar de estar envolvido com música antes de Flavio Cara-
viello, Dercy começou do outro lado "do balcão". Enquanto Fla-
vio aparecia nas lojas com seus artistas,Dercy trabalhava venden-
do discos, desde 1958. "Na verdade, eu devo muito ao Flavio. Foi
ele que me ajudou a entrar na CBS, onde fiquei 27 anos", conta
Dercy. Em quase três décadas de gravadora, Dercy Costa traba-
lhou com os maiores nomes da música brasileira. Mas seu ofício
também incluía receber os astros internacionais que estavam de
passagem pelo Brasil. "Em 1970, eu saí pelas lojas com
artistas como o guitarrista Carlos Santana e a italiana
Rita Pavoni. Eles não tinham ideia do sucesso que fa-
ziam no país e ficaram impressionados", diz.
Dercy trabalhou em gravadoras até o início dos anos
90. Quando percebeu que o modelo de negócio estava
mudando, optou por trabalhar por conta própria. "Fui
agenciar artistas, área em que atuo até hoje".
O primeiro nome sob os cuidados de Dercy foi Jer-
ry Adriani. "Éramos amigos desde o tempo em que eu
trabalhava em loja", conta. Sempre bem-humorado,
Dercy lembra uma das histórias mais curiosas que vi-
venciou como divulgador. "Fui fazer um show com o
Jerry em Brasília (DF), logo que ele lançou um disco
em italiano com as músicas da Legião Urbana. Na sa-
ída de uma rádio, uma menina perguntou se eu era o
Jerry. Quando eu disse que não, ela soltou: 'então, você
é o Adriani?', diverte-se.
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eles trabalhavamComastrosnaCionaise internaCionasemvisitaaopaís
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