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Victor -
A base de criação foi toda folk, mas colocamos hard rock, rock,
soul music, r'n'b e sonoridades regionais como roupagens para as mú-
sicas. Mas não é nada realmente novo. Na verdade nosso trabalho
sempre foi assim. Desde o início as pessoas estranhavam nosso som
por não ter ouvido nada semelhante antes. Sempre ficavam em dú-
vida sobre qual é o nosso gênero. Temos um pé no sertão e outro no
pop. Temos uma identidade própria. Somos caipiras, mas nossa mú-
sica não é só sertaneja. Nunca foi.
» Falem sobre as influências nos trabalhos da dupla?
Victor -
Temos influências demais. A música sertaneja mesmo é diver-
sa. Ela tem a linguagem regional, com Renato Teixeira e Almir Sater,
paraguaia com Milionário & José Rico, cabocla, com Tião Carrero e
Pardinho, entre outras. Mas não podemos nos considerar apenas ser-
tanejos porque também ouvimos Neil Young, Buddy Guy, John Lee
Hooker, Alceu Valença, Guns'n Roses, Dire Straits, Eagles, Phil
Collins... Com todas essas influências, fomos misturando. O Renato
Teixeira nos definiu como folk. E é isso que somos.
Leo -
Não sei se somos uma dupla sertaneja que faz rock ou roqueiros
que tocam música sertaneja.
» Nesse disco, vocês também trabalharam as vozes de uma
forma bem peculiar, certo?
Leo -
A gente sempre está mudando. Não temos nenhum disco que
possa ser comparado ao outro. Eu, particularmente, subi um pouco o
tomdas canções. Sempre cantei muito aveludado e nesse disco canto com
a voz um pouco mais média. Também experimentamos a inserção de
backing vocals. Inovar é uma característica super bem vinda. É im-
portante ter a capacidade de se reinventar, como a Madonna e o Ca-
pital Inicial, que desde a década de 80 renascem constantemente.
»
Guerreiro
é uma música que parece ter sido composta para a
Copa do Mundo. Existiu essa intenção?
Leo -
A ideia não é que ela se tranforme em um hino do evento. Tem
mais a ver comigo, que sou hiperativo e sempre pratiquei muitos espor-
tes desde a infância, inclusive futebol. Esporte é uma paixão minha.
» Falem sobre a ida da dupla para a Som Livre.
Victor -
Estávamos bem na Sony, mas buscávamos novos desafios. A
Som Livre tem capacidade para desenvolver trabalhos de forma com-
pleta no Brasil – por isso a parceria. Pra gente não é problema estar
numa gravadora com vários sertanejos, pois temos uma linguagem tão
própria que não vemos nossos colegas como concorrentes. Não importa
onde estamos inseridos – temos identidade e qualidade para se destacar.
» Nos últimos dois anos, o sertanejo viveu a era da música de
balada. Como avaliam esse período?
Victor -
Não dá para saber se essa onda foi boa para o sertanejo. O
tempo vai mostrar isso. A única coisa negativa que vejo nessa histó-
ria é a falta de originalidade. Mas é normal que a música evolua. E
com o sertanejo não seria diferente. Não dá para estagnar e esperar
que até hoje os artistas toquem sertanejo com viola.
» Vocês ainda são reclusos e evitam falar da vida pessoal?
Victor -
Num primeiro momento, me preocupava mais com as fofocas.
Hoje conquistei o respeito das pessoas. Amídia já entendeu que estamos
aqui para falar da nossa vida profissional. Vida pessoal é pessoal.
Leo -
Eu concordo com o Victor, mas não vejo tanto problema em
falar da vida pessoal. Se somos influência positiva para a sociedade,
não creio que seja ruim falar um pouco sobre a vida privada.
» Victor, você sempre escreve pensamentos e textos na inter-
net. Nunca pensou em publicar um livro?
Victor -
Já recebi convites para escrever um livro e também para com-
pilar crônicas que postei na internet. Mas ainda não tive tempo para
levar esse assunto adiante. Vontade eu tenho, mas falta tempo para
organizar isso.Uma outra ideia que gostaria de desenvolver é a criação
de um livro infantil, com ilustrações minhas. Quem sabe um dia.
divulgação